10 julho, 2006

XXI - Fatalidade. Solidão.

Com um grito no peito, não consigo erguer a cabeça e olhar adiante.
Só consigo ver a paisagem colorida da minha mente.
Não tenho forças para seguir.
Levantar e lutar não está a meu alcance.
Do meu olho direito cai uma lágrima,
A lágrima que sela meu segredo,
Que prova o quão preto e branco uma imagem pode ser.
Estou cansada.
Sento-me e começo a desenhar traços grossos e úmidos, rabiscos feitos somente com emoção, sem nenhum significado aparente.
Sinto-me dependente de algo que me machuca, que me mata aos poucos. Já nem sei a quanto tempo estou morrendo.
Vivo o último suspiro, não sei por quanto tempo meu coração agüentara bater.
Meu coração está descompassado. Refletindo os descompassos dos meus atos, pensamentos e desejos.
Acho que agora encontrei a recuperação que precisava, aquela que me libertará dos meus vícios e me fará nascer.
Finalmente tomo força e coragem para soltar meu grito. Mas percebo que estou só, que ninguém me escuta.
Meu coração acelera. Não sinto nada. Dou meu ultimo suspiro e caio sobre as fotos espalhadas pelo carpete lilás.
Morro.

Por Carla Marco de Carvalho
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