11 maio, 2009

XLII - Cada Pingo em Seu "i"

E atendendo ao telefone ainda ofegante:

- Alô?

- Alô! – respondeu ríspido e continuou – Foi você quem escreveu aquela carta?

- Ah! Fui eu sim... Você não gostou?

- Não, não gostei! Sinceramente, nunca li uma carta tão sem sentido como aquela! Não havia vírgulas, acentos, pontos ou qualquer coisa que expressasse algum entusiasmo, uma exclamação talvez. Sequer havia dois dedos de parágrafo no início de frase, e se por tratar de início, letra maiúscula era luxo! Aliás, até tentei adivinhar onde ficavam as frases daquele texto enorme cheio de palavras soltas, mas havia tantos erros de gramática que não conseguia pontuar tudo aquilo e ver tantas tragédias gráficas passando por meus olhos. Se aquela carta fosse um espelho, teria se partido com tantas caras horrorizadas que fiz durante a penosa leitura, que por fim, não fez sentido algum. Sua capacidade de expressar em palavras qualquer coisa deve ser no mínimo medíocre. Não sei nem porque eu liguei para você. Não consigo crer que tive coragem de ligar. Mas, já que estamos aqui, o que você tem a me dizer?

E chorando ao telefone, ainda em soluços, manteve o em silêncio por um ou dois minutos quando resolveu responder-lhe:

- Todas as vírgulas e pontos que não foram em sua carta estão aqui. Meu objetivo principal foi fazer com que você me desse uma chance de entregar-lhe. Creio que minha estratégia funcionou. Pois agora tenho você ao telefone pedindo todas as acentuações que lhe é de direito, e eu, estou disposta a entregar-lhe. Com uma única condição: Quero estar ao seu lado quando começar a distribuir as pontuações, pois só eu sei a hora em que eu tenho que colocar exclamações na parte do “EU TE AMO”!

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