07 novembro, 2014

LVI - Um Cara Chamado João

Um João, ou Jão, como dizem pejorativamente por aí. Quantos Jãos você conhece? 

Sempre conhecemos um e ele nunca é o mocinho da história. Também não é vilão. É um Jão! Secundário que é, não opina, não muda, não soma nem subtrai. Multiplica, talvez, em muitos outros Jãos.

Mas isso é generalizando. Eu conheci um Jão que conseguiu em alguns minutos neutralizar uma nação. Sim, neutralizar. Tornar neutra toda uma nação. Tudo em teoria, eu acho.

Foi em uma canção que Jão escreveu algo que faz qualquer um parar pra pensar, mesmo que por poucos instantes. Ela diz como seria se...

Tá certo que no fim das contas, pra variar, Jão não fez nada além disso. Não mudou a nação, não virou herói. Virou ídolo, talvez, mas não pra todos, afinal, um planeta é formado por gregos e troianos, e por isso não podemos agradar aos dois.

Mas ele fez a parte dele e depois disso, partiu. Partiram com ele. Era Jão, não era?

Não sou muito bom de memória, mas me lembro mais ou menos de algumas coisas que ele disse:

Feche seus olhos e imagine que não existe paraíso, nem inferno, só o céu.
Imagine todas as pessoas vivendo para o hoje, sem se preocupar com amanhã.
Imagine não existir países, nada pelo que matar ou morrer.
Já pensou se não tivesse nenhuma religião também?
Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz, já pensou?

Você deve achar que sou um sonhador, não é?
Mas não sou o único, tenho a esperança de que um dia você também pense assim!
E aí o mundo será como um só.

Continua imaginando, agora não existir posses, luta por terras.
Será que você consegue imaginar isso? Difícil né?
Sem necessidade de ganância ou fome, sabe?
Uma irmandade do Homem!
Imagine todas as pessoas compartilhando todo o mundo. Seria bom demais...
Essas são algumas das palavras que o João disse. Será que faz sentido pra você?



*O texto citado acima é uma adaptação livre feita para esse texto, baseada na letra original da música Imagine, escrita por John Lennon.

20 abril, 2014

LV - Insônia

Estava ali, exercendo a insônia, no silêncio da noite, no escuro do quarto, pensando no que a vida já me proporcionou e analisando o que poderia ainda proporcionar.

Contava os segundos na cabeça, o tic-tac do relógio ficava por conta de meus dedos tamborilando sobre minha barriga.

Nada. Ainda exercendo-a.

Até que a chuva veio, cantou no telhado da casa vizinha a canção que me faltava. Cantou e ao me ver encantado, convidou-me a dormir.

Boa noite.

Dormi que nem vi. Quando acordei já era dia e a chuva já tinha partido.

19 abril, 2014

LIV - Impalpável Distância

E você? Tem medo de que? Tem gente que tem medo da solidão, do escuro, da traição ou do medo. Eu? Tenho medo da distância, mas não dessa mensurável.

Estar distante de você por quilômetros, milhas ou jardas não me assusta. Qualquer distância mensurável não me assusta. A distância daqui até a lua? Tá fácil! E até Plutão? Se é que esse planeta ainda existe. Também não me assusta.

A distância que me assusta é essa que estamos vivendo agora. Você está aí, mas eu sequer tenho certeza se estamos perto ou se estamos longe. Não consigo saber, e se me aproximo de você, você se afasta, se me afasto não consigo mais me aproximar. Pior ainda é não conseguir saber se você está se afastando ou tentando se aproximar também.

Giro em torno de ti, mas não vejo teus olhos. Olho-te e não vejo se está por perto.

Confuso. Isso me assusta.

O que eu quero? Distância dessa imensurável distância.

"Ó distância, quero medi-la, calcular-te me faria me feliz, transcrever-te em números gregos ou romanos, em palavras legíveis, sensíveis, não importa, mas controlar-te.

Quero-te em minhas mãos, por maior que seja, e poder tocá-la, ó, impalpável distância."