Linda, deslumbrante, eu diria quase perfeita se não fosse os defeitos. Não vê? Olha bem! Seus defeitos a torna solitária. Veja lá, caminha sozinha de novo. Antôni, Alcides, Eduardo, Dorival e tantos outros. Quem mais tentará? Quem mais quererá?
Pois bem, pergunte a eles. Vamos, pergunte! Ou vai me dizer que também não tem curiosidade de saber o que ela tem de tão errado. Se ela é assim tão perfeita para você, seria interessante entender porque os outros a largaram, não acha?
Ciumenta para alguns, metódica para outros, há até quem diga que na cama, não presta, é frígida. Não parece né? Linda, perfeita, sorriso, voz, articulação de palavras, até quando espirra traduz o ambiente com alguns movimentos deslumbrantes. Mas porque assim, sozinha?
Das idéias vem as realizações, das grandes realizações as imagens marcantes e, de todas as grandes marcas, um rabisco, um esboço, um rascunho.
01 dezembro, 2010
29 agosto, 2010
L - Pequenos Frasco, Melhores Perfumes
Nunca tivera recurso financeiro pra ter o que queria. Tinha o essencial e só. Ia para a escola a pé, todos os dias, exceto quando chovia. Mãe nenhuma gosta de ver seu filho doente, ainda mais quando o dinheiro não banca sua hospedagem em casa pra ficar cuidando da febre alheia. Já mocinha, não reparava mais como a escola era longe, o costume e a rotina fizeram-na criar um hábito saudável de caminhar.
Ah, já ia esquecendo. A menina era assim, desajeitada, bagunçada do equilíbrio. Em todos estes anos, nunca a vi completar uma rota para escola sem derrubar uma caneta, um lápis ou por muitas vezes, o kit-escola todo.
Um dia, sem esperar, ganhou da mãe sua primeira mochila. Não era seu décimo oitavo aniversário ainda e o décimo quinto já havia passado havia dois anos, mas naquele dia, comemorou quieta com um sorriso e um brilho de quem realmente estava contente com o presente.
E presente, não estava o pai, era passado há anos. E passado anos, não sentia mais falta. Mas naquele dia da mochila, ela lembrou dele. Não importa, já era tarde e o melhor foi ir dormir.
No outro dia de manhã, acordou cedo como de costume, arrumou-se para a escola, colocou orgulhosa sua mochila na costas, reparou-se bem no espelho como há muito não o fazia, acertou a altura das alças, pegou seu material e saiu.
Estava tão contente com aquela mochila que no seu habitual caminho para a escola, saltitando de uma felicidade que não lhe cabia dentro do corpo, deixou para trás, apenas as pegadas que sumiam gradualmente conforme se distanciava.
Por fim, houveram três fins. Não pretendo contar nenhum, fechem seu olhos e façam o fim que lhes convierem.
Ah, já ia esquecendo. A menina era assim, desajeitada, bagunçada do equilíbrio. Em todos estes anos, nunca a vi completar uma rota para escola sem derrubar uma caneta, um lápis ou por muitas vezes, o kit-escola todo.
Um dia, sem esperar, ganhou da mãe sua primeira mochila. Não era seu décimo oitavo aniversário ainda e o décimo quinto já havia passado havia dois anos, mas naquele dia, comemorou quieta com um sorriso e um brilho de quem realmente estava contente com o presente.
E presente, não estava o pai, era passado há anos. E passado anos, não sentia mais falta. Mas naquele dia da mochila, ela lembrou dele. Não importa, já era tarde e o melhor foi ir dormir.
No outro dia de manhã, acordou cedo como de costume, arrumou-se para a escola, colocou orgulhosa sua mochila na costas, reparou-se bem no espelho como há muito não o fazia, acertou a altura das alças, pegou seu material e saiu.
Estava tão contente com aquela mochila que no seu habitual caminho para a escola, saltitando de uma felicidade que não lhe cabia dentro do corpo, deixou para trás, apenas as pegadas que sumiam gradualmente conforme se distanciava.
Por fim, houveram três fins. Não pretendo contar nenhum, fechem seu olhos e façam o fim que lhes convierem.
21 agosto, 2010
XLIX - Sem Criatividade
Ando sem criativadade. Não, não tenho mais a mesma criatividade de antes. Imaginar e jogar com as palavras se tornaram um desafio do qual as barreiras são bem maiores que eu. Maior que os arrnha-céus, maior que o rodoanel. Tão grande que as nuvens olham para cima pra poderem ver. Veem as estrelas que vem de anos-luz de distancia e quando chega, se deparam com essa barreira. Barreira essa que já passou pela velocidade do som e da luz, das pegadas do homem na lua, de todo o lixo e sondas espaciais.
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