É culpa dos rios que invadem sem permissão e deixa sem chão àqueles que moram ali tão perto;
É culpa do homem que invade o espaço, derruba o mato, que tira o espaço das vespas e das ervas daninhas;
É culpa da mãe natureza que chove um mar, não avisa nem fala o quanto vai derramar;
A culpa é do vento que empurra as nuvens pro meio da cidade ao invés de levá-las pro meio do mar;
É culpa do céu que emburra e escurece, não nota, não esquece que tem concreto e gente que pode se encharcar;
É culpa da cidade que cresce e se ergue em cima da terra que planta a floresta que Deus regou;
A culpa é de Deus que não tem controle sobre o que fez e não sabe mais por onde começar pra poder parar;
A culpa é minha que culpa os santos pelos pecados que eu mesmo ajudei a surgir e joga pra fora o lixo que outro inventou;
A culpa é dos ralos que em vez de cuspir, engole guloso, o que não serve e passa mal quando despenca água sem parar;
A culpa é dos rios que invadem sem permissão e deixa sem chão àquelas que moram ali tão perto...
Das idéias vem as realizações, das grandes realizações as imagens marcantes e, de todas as grandes marcas, um rabisco, um esboço, um rascunho.
04 julho, 2009
01 junho, 2009
XLIV - Café e Bobagem
Foi quase! Por muito pouco mesmo. Ali, na beirada daquele jardim de rua com um chafariz de águas amareladas que quase senti os lábios de Antônio sobre os meus. O calor e a tremedeira tomavam conta da minha razão e eu esfacelava em sentimentos. Mas ali, naquele quase momento perfeito Antônio falou sobre a parte do corpo que ele mais gostava em uma mulher. Sentiu que foi ali o melhor momento para comentar e disse: “as mãos finas e delicadas de uma menina”.
E foi ali que me vi voltando para mim. A tremedeira e o calor transformaram-se em frio e desespero. Prantos.
Corri por entre os carros e as buzinas. Freadas bruscas acompanharam minha semana enquanto admirava tão abismada minhas próprias mãos marcadas pela infância dura na plantação do meu pai. A brincadeira mais divertida era contar frutos de café pra descobrir até onde chegavam os números. A mais inesquecível foi contar as estrelas, pra ver se tinham tantas quanto aos cafés que já colhi. Mãos duras e sem delicadeza nenhuma. Antônio não merecia isso. Também nunca mais me procurou, e eu? Chorava. Derramei ainda mais lágrimas do que as estrelas e os frutos de café já torrados por tantos outros por aí.
E foi ali que me vi voltando para mim. A tremedeira e o calor transformaram-se em frio e desespero. Prantos.
Corri por entre os carros e as buzinas. Freadas bruscas acompanharam minha semana enquanto admirava tão abismada minhas próprias mãos marcadas pela infância dura na plantação do meu pai. A brincadeira mais divertida era contar frutos de café pra descobrir até onde chegavam os números. A mais inesquecível foi contar as estrelas, pra ver se tinham tantas quanto aos cafés que já colhi. Mãos duras e sem delicadeza nenhuma. Antônio não merecia isso. Também nunca mais me procurou, e eu? Chorava. Derramei ainda mais lágrimas do que as estrelas e os frutos de café já torrados por tantos outros por aí.
17 maio, 2009
XLIII - Um Arco-Íris?
Um Arco-Íris. Foi em um dia de uma tempestade, daquelas rápidas e que pega todo mundo desprevinido. Depois vai passando e as nuvens negras que cobriam o luz vão se dissipando, dando lugar ao sol. Sol esse que por sua vez, de tanto alívio, aproveita as pequenas gotículas que ainda sobrevoam o céu para brincar de colorir.
E o pote de ouro?
Quem precisa de ouro, quando se tem cores alegres para brincar?
E o pote de ouro?
Quem precisa de ouro, quando se tem cores alegres para brincar?
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