04 julho, 2009

XLV - A Culpa, O Ciclo

É culpa dos rios que invadem sem permissão e deixa sem chão àqueles que moram ali tão perto;

É culpa do homem que invade o espaço, derruba o mato, que tira o espaço das vespas e das ervas daninhas;

É culpa da mãe natureza que chove um mar, não avisa nem fala o quanto vai derramar;

A culpa é do vento que empurra as nuvens pro meio da cidade ao invés de levá-las pro meio do mar;

É culpa do céu que emburra e escurece, não nota, não esquece que tem concreto e gente que pode se encharcar;

É culpa da cidade que cresce e se ergue em cima da terra que planta a floresta que Deus regou;

A culpa é de Deus que não tem controle sobre o que fez e não sabe mais por onde começar pra poder parar;

A culpa é minha que culpa os santos pelos pecados que eu mesmo ajudei a surgir e joga pra fora o lixo que outro inventou;

A culpa é dos ralos que em vez de cuspir, engole guloso, o que não serve e passa mal quando despenca água sem parar;

A culpa é dos rios que invadem sem permissão e deixa sem chão àquelas que moram ali tão perto...

01 junho, 2009

XLIV - Café e Bobagem

Foi quase! Por muito pouco mesmo. Ali, na beirada daquele jardim de rua com um chafariz de águas amareladas que quase senti os lábios de Antônio sobre os meus. O calor e a tremedeira tomavam conta da minha razão e eu esfacelava em sentimentos. Mas ali, naquele quase momento perfeito Antônio falou sobre a parte do corpo que ele mais gostava em uma mulher. Sentiu que foi ali o melhor momento para comentar e disse: “as mãos finas e delicadas de uma menina”.

E foi ali que me vi voltando para mim. A tremedeira e o calor transformaram-se em frio e desespero. Prantos.

Corri por entre os carros e as buzinas. Freadas bruscas acompanharam minha semana enquanto admirava tão abismada minhas próprias mãos marcadas pela infância dura na plantação do meu pai. A brincadeira mais divertida era contar frutos de café pra descobrir até onde chegavam os números. A mais inesquecível foi contar as estrelas, pra ver se tinham tantas quanto aos cafés que já colhi. Mãos duras e sem delicadeza nenhuma. Antônio não merecia isso. Também nunca mais me procurou, e eu? Chorava. Derramei ainda mais lágrimas do que as estrelas e os frutos de café já torrados por tantos outros por aí.

17 maio, 2009

XLIII - Um Arco-Íris?

Um Arco-Íris. Foi em um dia de uma tempestade, daquelas rápidas e que pega todo mundo desprevinido. Depois vai passando e as nuvens negras que cobriam o luz vão se dissipando, dando lugar ao sol. Sol esse que por sua vez, de tanto alívio, aproveita as pequenas gotículas que ainda sobrevoam o céu para brincar de colorir.

E o pote de ouro?

Quem precisa de ouro, quando se tem cores alegres para brincar?