22 novembro, 2006

XXVI - Lágrimas

E ela decidiu não mais chorar. Depois de tantos prantos inacabáveis por atitudes alheias que a magoaram, ela decidiu eliminar de sua anatomia as glândulas lacrimais.

Mais uma vez magoada e desta vez sem prantos; fria e com olhos de vidro, via-se que tua face agora exibia cicatrizes debaixo dos olhos. As mágoas deixaram de se transformar em lágrimas e agora se tornara vinganças.

Todos aqueles que então a magoavam choravam em seu lugar. A maldição estava declarada, e nem fora ela quem quis assim. Não a magoem mais, será em vão.

11 novembro, 2006

XXV - Solidão

Solidão maltrata,
Machuca um coração cheio de vida...
Solidão traz a tristeza,
A dor, o desespero...
Solidão acaba com qualquer vestígio de alegria e esperança que possa existir na mente de alguém que sofre.
A dor é tão insuportável que chaga a fechar tua garganta
Formando um nó que só uma boa gargalhada pode desmanchar.
É triste se ver neste estado...
Na maior e mais insistente solidão...
Tão deprimente...
Tão esquisito...
Tão frio...
Tão doloroso...
Tão desesperador...
Tão...
Só.

por Carla Marco de Carvalho

29 outubro, 2006

XXIV - Crime


Num quarto escuro.
Pálpebras pesadas,
Garganta calada,
Boca colada,
Sono.
Frio.
Na rua uma mulher só, em meio à névoa fina.
A tristeza amarga por dentro...
A mulher.
Derrepente um homem também.
Um soco.
Um choro.
Desespero.
Gritos.
Um gozo.
Na rua uma mulher só, em meio à névoa fina.
Suas lágrimas salgadas e o sangue por entre as pernas.
Vítima.
Um choro desesperado de agonia e nojo.
Num quarto escuro, pálpebras sonolentas, acordadas.
Pela janela uma mulher em meio ao sangue e a chuva.
Socorro.
Tristeza.
Compaixão.
Ajuda.
Calma.
Um agradecimento.
Num quarto escuro.
Sono.

por Carla Marco de Carvalho.


OBS.: Não há verbos na obra.