Naquele dia, após isso tudo, nada mais aconteceu de incomum. Isso ao meu ponto de vista. Perante a minha realidade, não se passou de “um detalhe que fizera meu dia diferente”.
Alguém já ouviu falar da Teoria do Caos? Aquela história de que o esvoaçar de uma borboleta pode causar um furacão do outro lado do continente, ou algo que o valha.
Pois então, mal sabia eu que, naquele dia, aquele ato fora o “bater da asa” que fez a diferença.
Há três semanas atrás, aquela moça acompanhava o Albertinho, noivo por sete anos, que finalmente resolveu se casar. Só esperou o “momento certo”, que sem mais porquês e também nem tem importância, achara que já era hora.
Das idéias vem as realizações, das grandes realizações as imagens marcantes e, de todas as grandes marcas, um rabisco, um esboço, um rascunho.
05 julho, 2006
02 julho, 2006
XVIII - O Alfaiate - (Parte I)
- Moço, você sabe onde tem um alfaiate aqui perto?
- Xi, Não sei não senhora. Eu não moro por aqui, estou indo na casa da minha namorada e... Infelizmente não sei.
- Tá bom, obrigada.
E esse foi meu primeiro diálogo do dia em plena dez horas da manhã de um domingo de sol murcho. A mulher e o filho que aparentava lá uns quatorze anos de idade continuaram seguindo na mesma rua, olhando de casa em casa na esperança de que alguma placa mágica aparecesse com os dizeres: “Aqui mora o alfaiate”.
Mesmo assim me senti incomodado em ver aqueles dois perdidos e antes de entrar na casa da minha menina, resolvi perguntar:
- Alice, aqui mora algum alfaiate?
- Mora sim. Lá em baixo, perto do mercadinho. Por quê?
- Uma senhora com o filho estavam procurando ele. Vou avisar, pois eles já estão lá pra cima.
Voltei meus olhos para os dois, como se estimasse a distância que já estavam de mim e chamei-os com voz alta e agitando os braços para que voltassem.
- Moça, o alfaiate que vocês procuram mora ao lado do estacionamento do mercado, lá em baixo.
- Ai moço, obrigada. Obrigada.
- Xi, Não sei não senhora. Eu não moro por aqui, estou indo na casa da minha namorada e... Infelizmente não sei.
- Tá bom, obrigada.
E esse foi meu primeiro diálogo do dia em plena dez horas da manhã de um domingo de sol murcho. A mulher e o filho que aparentava lá uns quatorze anos de idade continuaram seguindo na mesma rua, olhando de casa em casa na esperança de que alguma placa mágica aparecesse com os dizeres: “Aqui mora o alfaiate”.
Mesmo assim me senti incomodado em ver aqueles dois perdidos e antes de entrar na casa da minha menina, resolvi perguntar:
- Alice, aqui mora algum alfaiate?
- Mora sim. Lá em baixo, perto do mercadinho. Por quê?
- Uma senhora com o filho estavam procurando ele. Vou avisar, pois eles já estão lá pra cima.
Voltei meus olhos para os dois, como se estimasse a distância que já estavam de mim e chamei-os com voz alta e agitando os braços para que voltassem.
- Moça, o alfaiate que vocês procuram mora ao lado do estacionamento do mercado, lá em baixo.
- Ai moço, obrigada. Obrigada.
27 junho, 2006
XVII - Antes da Chuva
Voltando pra casa, fugindo da chuva, sério e inexpressivo, comecei e pensar onde foi parar aquele meu espírito agradável que ria de qualquer bobagem. Alguns condenavam e me achavam infantil quando agia dessa maneira, mas e agora, faço eu parte dessa massa?
Nesse mesmo caminho, duas senhoras riam sozinhas do outro lado da rua, enquanto brigavam de brincadeira com o vento que dobrava o guarda-chuva delas para cima e a faziam se molhar.
Na mesma calçada que eu, o mesmo vento se divertia com duas garotinhas que recebia as gotículas geladas que ele fazia cair das folhas da árvore encharcada. Elas riam como se fosse algo mágico e único, embora seus pais esbravejassem quaisquer bobagens sobre a atitude desse menino.
E tudo ao mesmo tempo. Nesse mesmo tempo, o mendigo tentava fazer um pouco de fogo debaixo da carroça de carregar papelão, e se eu fosse ele, ficaria irritadíssimo com cada sopro que o vento dava pra apagar meu fogo. Vento Maldito!
Enquanto tudo isso acontecia, eu fugia. Já não sei mais porque eu fugia de fato. Mas estava assustado e injuriado, o vento também resolveu me perturbar. Soprava a garoa fina bem na direção do meu rosto. Ah! Como eu estava odiando!
E antes que essa viagem de cinco minutos terminasse, uma bicicleta desgovernada quase me atropelou! “Olha para onde anda com essa porra!” - eu quis reclamar. Mas logo me coloquei a rir ao ver que eu quase fora atropelado por uma velha amiga. Quanto tempo não a via.
Nesse mesmo caminho, duas senhoras riam sozinhas do outro lado da rua, enquanto brigavam de brincadeira com o vento que dobrava o guarda-chuva delas para cima e a faziam se molhar.
Na mesma calçada que eu, o mesmo vento se divertia com duas garotinhas que recebia as gotículas geladas que ele fazia cair das folhas da árvore encharcada. Elas riam como se fosse algo mágico e único, embora seus pais esbravejassem quaisquer bobagens sobre a atitude desse menino.
E tudo ao mesmo tempo. Nesse mesmo tempo, o mendigo tentava fazer um pouco de fogo debaixo da carroça de carregar papelão, e se eu fosse ele, ficaria irritadíssimo com cada sopro que o vento dava pra apagar meu fogo. Vento Maldito!
Enquanto tudo isso acontecia, eu fugia. Já não sei mais porque eu fugia de fato. Mas estava assustado e injuriado, o vento também resolveu me perturbar. Soprava a garoa fina bem na direção do meu rosto. Ah! Como eu estava odiando!
E antes que essa viagem de cinco minutos terminasse, uma bicicleta desgovernada quase me atropelou! “Olha para onde anda com essa porra!” - eu quis reclamar. Mas logo me coloquei a rir ao ver que eu quase fora atropelado por uma velha amiga. Quanto tempo não a via.
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